quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Lê isto

A cena abre com um jovem rapaz sentado num largo telhado de um prédio no centro de lisboa, com uma ampla vista sobre a cidade. É fim de tarde ou começo da noite de um daqueles dias para o fim de junho, quando até na madrugada não se tem frio.
Primeiro observamos o rapaz de costas para nós. Está a beber uma cerveja, e quando dá um gole os foguetes explodem no ar, enchendo o céu de vermelho.
Mas depois vemos a sua cara de frente, de perto. Está de olhos fechados, a receber a brisa quente, enquanto dá um suspiro longo e profundo. No seu rosto há lágrimas...
Mais foguetes, mais vermelho. Os cidadãos festejam lá em baixo, a cidade tem vida, a cidade tem som. No telhado ouve-se o rumor.
O rapaz não vai descer, ele não quer. Agora pertence àquelas telhas.
De costas para nós vemo-lo a deitar-se. Está cansado.
Quando acorda já o sol comeceu a nascer para o mundo, mas só ele contempla, o resto ainda dorme.
Quando os seus pés descalços tocam o chão da rua, o rapaz tem a sensação que esteve fora durante toda uma Era...
Agora não ía perder a oportunidade, agora a sorte estará do seu lado, agora era a sua vez considerada por ele merecida.
O rapaz és tu, o rapaz sou eu, o rapaz sois vós.
O rapaz está de regresso....

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