
Então, estava eu na praia, numa qualquer, era quase noite, o sol já se tinha quase ido. Não se via ninguém, apenas umas pessoas lá ao fundo. Os meus amigos já estavam numa das casas em frente á praia, a preparar o jantar, e soube bem depois de um mês intenso com eles, estar sozinho.
Era impossível não ver a Lua... Ía alta, com uma mistura prata e azul, a contrastar com o vermelho do outro lado do céu, onde o sol se tinha posto.
A areia estava um bocado fria, comparando-a com a do meio-dia.
Comecei a entrar na água. Tinha algas até ao joelho, e sempre me fez impressão não conseguir ver o que estava por baixo, por isso segui em frente, onde só havia água e areia. Mas já não havia grande luz, a água estava cinzenta... Estava contra o vento, estava contra a maré, via ao longe o horizonte. Senti -me incrivelmente selvagem, humano, vivo, jovem, natural. Deixei-me ir pelas sensações e comecei a boiar com o ritmo do mar. Por cima de mim lá estava ela, quase cheia, como uma coisa que nos é prometida e chegará em breve.
Quando me pus em pé parecia que tinha voltado ao mundo. Saí, e enrolado na toalha observei tudo o que havia a observar. De repente, apeteceu-me não estar sozinho.
Ouvia a minha respiração, sentia o meu corpo a precisar de uma banho quente. Então despedi-me da praia e caminhei para casa.
Soube apreciar este momento e guardei-o.
Aconteceu num dos últimos dias de Agosto, era o fim do verão.
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